por um mundo de paz

pensando bem, fabricantes de armas desejam o tempo todo um mundo inseguro. Fabricantes de remédios nos desejam doentes.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A manipulação da verdade


Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura

Ribamar Bessa Freire, via Portal Terra
O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugênio Sales, ocorrida na segunda-feira, dia 9, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão Uma cidade sem passado, de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.
Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é “Minha cidade natal na época do 3º Reich”. Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme –, considerada até então baluarte da resistência antinazista.
Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas. Ninguém quer que uma “judia e comunista” futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.
A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.
Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, for jando um passado que nunca existiu.
Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Consumismo nosso de cada dia

IMPERIALISMO E CRISE SOCIOAMBIENTAL
Maurício Broinizi Pereira
professor de história contemporânea e coordenador do programa de pós-graduação em história da puc-sp

Os principais acontecimentos políticos do final do século passado e a reificação do processo de aceleração das transformações tecnológicas em curso, entre outras questões, criaram a ilusão da inexorabilidade e imperiosidade do capitalismo como o único sistema econômico-social viável para a humanidade. A globalização e o neoliberalismo, instrumentos do processo de mundialização do capital, foram alçados à condição de únicas receitas eficazes para alavancar o crescimento econômico mundial e, em particular, o dos países enredados nas mazelas da pobreza.
A movimentação de capital, sem dúvida, foi intensa: mega transações, megafusões, mega especulações, incorporações avassaladoras de significativas porções do Leste Europeu e da China no percurso dos investimentos e da reprodução e acumulação de capital, além da intensificação do desenvolvimento capitalista em grande parte do Sudeste Asiático. Enquanto isso, após a recessão dos anos de 1991 a 1993, os Estados Unidos experimentaram, até 2000, um enorme boom econômico, recuperando níveis altíssimos de investimento, emprego e produtividade — e também de especulação na chamada Nova Economia, como retratavam os índices Nasdaq de ações de empresas de tecnologia —, colhendo uma porção significativa dos frutos da ampla abertura econômica que marcou a década passada.
O empenho da Era Clinton por manter o boom econômico era tamanho que, além de manter todas as pressões sistêmicas para que grande parte dos países aprofundassem a política de open door, o presidente assumia pessoalmente o papel de lobista mundial de grandes projetos e empreendimentos de interesse de empresas norte-americanas, chegando a tomar para si, por diversas vezes, a patética missão de tentar convencer o governo e o povo japonês de que eles deveriam consumir bem mais e poupar muito menos, dado o reconhecido alto nível de poupança per capita existente no Japão e o moderado padrão de consumo de grande parte de sua população.
A receita dos anos de 1990, ainda que bem simplificada, pode ser resumida em desregulamentação, portas abertas, livre mercado, gigantescas e super produtivas empresas, consumo, muito consumo, acumulação, ampla liberdade de aplicações e especulações globalizadas, mais alguma acumulação etc., com, obviamente, a devida proteção ao poder político e militar das potências gerentes do sistema, particularmente o da superpotência imperial norte-americana, incluindo todo o poder simbólico que ela representa para o mundo como sociedade opulenta, de consumo abundante e vencedora.
O império do consumo
É importante refletir sobre o papel simbólico que os Estados Unidos representam, principalmente porque o estilo de vida norte-americano, os seus produtos, valores e promessas, amplamente difundidos pelo poder de sua indústria cultural e de suas propagandas, veiculadas intensamente por todas as novas tecnologias de comunicação, passaram a habitar, na última década, o imaginário de mais alguns bilhões de pessoas expostas ao processo de mundialização do capitalismo. É claro que tal processo não começou nos anos de 1990, mas o fim da União Soviética, a globalização e a consistente transformação capitalista das economias chinesa e indiana multiplicaram as condições de reprodução da sociedade pautada no consumismo.
Pelo menos desde os anos de 1940, a sociedade de consumo de massa passou a ser não só o ideal mas também a realidade de grande parte dos norte-americanos.
“No começo da era que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, um consultor de vendas americano chamado Victor Lebow declarou:
´A nossa economia enormemente produtiva... requer que nós façamos do consumo o nosso modo de vida, que nós convertamos a compra e o uso de mercadorias em rituais... que nós busquemos a nossa satisfação espiritual ou do nosso ego no consumo... nós precisamos de coisas consumidas, destruídas, gastas, substituídas e descartadas numa taxa continuamente crescente´.”1

E nada foi tão plenamente realizado na sociedade norte-americana quanto esta inflexão de sessenta anos atrás.
Vale a pena refletir sobre alguns efeitos globais deste estilo de vida e padrão de consumo. Contando, em média, com um automóvel para cada dois habitantes, ou seja, com uma frota de aproximadamente 150 milhões de carros, os EUA – que têm menos de 5% da população mundial – consomem 26% do petróleo, 25% do carvão e 27% do gás natural do planeta, segundo dados divulgados em 2004 pelo Worldwatch Institute, uma fundação com trinta anos de experiência em pesquisa e processamento de dados sobre o “estado do planeta”. Em consequência, os EUA são responsáveis por cerca de 27% das emissões globais de CO2. O dióxido de carbono, o qual é o resultado da queima daqueles combustíveis fósseis, é o principal poluente da atmosfera e o grande responsável pelo processo de aquecimento global em curso.
Por outro lado, o governo Bush vem, sistematicamente, negando-se a reconhecer qualquer evidência de mudança climática, recusando-se a assinar o protocolo de Kioto, ainda que este seja uma tímida iniciativa para a redução da emissão de poluentes. Para um presidente com estreitas ligações com o complexo industrial militar e com o setor petrolífero norte-americanos, deve ser difícil aceitar que conste da sua agenda qualquer preocupação com os efeitos perversos, ainda que sejam fatais, da “civilização do bem”. Não bastassem seus comprometimentos evidentes, Bush foi acusado por sessenta cientistas norte-americanos, entre os quais doze são prêmios Nobel, de distorcer pesquisas científicas, incluindo as das mudanças climáticas, segundo seus interesses políticos, assim como distorceu os relatórios sobre o Iraque para poder fazer a guerra.
Este é apenas um exemplo das consequências ambientais globais de uma sociedade de consumo de massa que representa 5% da população do planeta. No entanto, esta sociedade tornou-se referência para outras tantas, objeto do desejo de milhões e milhões de consumidores potenciais, principalmente de economias emergentes que apenas começam a reproduzir o estilo de vida norte-americano. O exemplo mais significativo vem da China, onde apenas 20% de sua população começa a figurar com alto poder de consumo, porcentagem que equivale a toda a população consumidora norte-americana. Segundo dados que vem sendo divulgados pela imprensa, os chineses vem incorporando 11 mil novos carros por dia nas ruas de suas cidades, totalizando aproximadamente 15 milhões de automóveis particulares.
Esta nova situação levou o continente asiático à condição de maior produtor mundial de veículos, onde a China é o mercado que mais cresce. Se estas tendências forem mantidas, em poucos anos teremos na China uma frota de automóveis próxima à já existente nos EUA. Pode-se aplicar esta mesma linha de raciocínio para países como a Índia, Indonésia, Rússia e Brasil, onde mais da metade de suas grandes populações ainda não ingressaram na condição de consumidores de automóveis. No Brasil, a tendência é explícita, pois a industria automobilística, tanto para exportação quanto para consumo interno, parece continuar sendo considerada um dos principais agentes responsáveis por incrementar o crescimento econômico, dados os contínuos incentivos do governo Lula para o setor.
Em face da estrutura produtiva em que parte significativa do sistema está assentado, do conjunto de interesses que giram em torno da indústria automobilística e petrolífera, e da ideologia dominante e geradora de desejos de consumo, parece que o eco cínico em torno de Bush continuará tendo muitos adeptos, sustentado pela racionalidade/crença ocidental de que a tecnologia trará soluções para tudo, talvez até para a inexistência de recursos naturais que possam sustentar o atual paradigma produtivista/consumista. Tal paradigma continua, ainda que esteja em ampliação para novas áreas do planeta, realizando a circulação de mercadorias para muito poucos, já que mais de dois terços da humanidade continua sobrevivendo entre condições de miséria e pobreza. Concluída mais de uma década de globalização e neoliberalismo, uma enxurrada de dados divulgados recentemente por organizações multilaterais do próprio sistema, tais como ONU, OIT, Banco Mundial e o próprio FMI, apontam para a insustentabilidade socioeconômica e ética deste processo, que gerou mais concentração de renda entre os países ricos e para as classes mais abastadas em todo o planeta, aprofundando a desigualdade social e o desastre ambiental.

Nota
1 Durning, Alan, in Qualidade de Vida, 1991. Worldwatch Institute. São Paulo, Globo, 1991, p.205.
Texto retirado do sítio da Revista PUCVIVA
http://www.apropucsp.org.br/revista/r20_r04.htm

sexta-feira, 22 de junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012

O que sustenta o capitalismo.

Capitalismo não se sustenta sem fome, guerra, miséria, desemprego, favelas, violência, corrupção, epidemias, degradação ambiental, tráfico ilegal de drogas, armas e seres humanos.
É essencial para este sistema que toda sorte de males se perpetuem, pois só assim os privilégios da minoria dominante permanecem.
A exploração de um ser humano por outro, a concentração fundiária e de renda, a mentira, a imoralidade, a loucura, o desespero, o vício. Tudo isso é condição de existência do capitalismo.
Não existe capitalismo sem atraso, subdesenvilvimento, racismo, machismo, homofobia, roubo, desinformação, desvios de conduta e morte.

domingo, 10 de junho de 2012

Cortina de fumaça

Cortina de fumaça é o nome de um filme que assisti e gostei muito, por isso recomendo a todos os que se interessam pelo assunto "drogas".
http://www.youtube.com/watch?v=L44QDZjKNzY&feature=related

Por que a maconha é proibida?




Um documentário corajoso sobre um dos assuntos mais polêmicos dos nossos tempos: a guerra contra a marijuana, desde a década de 1920 até os dias de hoje:
- Os bilhões de dólares gastos pelo governo norte-americano para o "combate às drogas";
- As bizarras campanhas publicitárias criadas no século XX com o objetivo de propagar o mito da "erva maldita";
- O racismo implícito na criminalização de muitos usuários da erva do início do século XX, nos EUA;
- Os interesses políticos por trás da proibição.
MACONHA é um documento histórico sobre a guerra contra o uso da cannabis.
Narrado pelo ator Woody Harrelson, de "O Povo Contra Larry Flynt".
Diretor: Ronn Mann
Ano de Lançamento: 1999
Gênero: Documentário
Duração: 78 Minutos
Classificação etária: 16 anos

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Até quando?


Até Quando?

Gabriel O Pensador

Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!
Até quando você vai ficar usando rédea?!
Rindo da própria tragédia
Até quando você vai ficar usando rédea?!
Pobre, rico ou classe média
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
muda que o medo é um modo de fazer censura
Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ser saco de pancada?
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
O seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e a sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!!
A polícia
Matou o estudante
Falou que era bandido
Chamou de traficante!
A justiça
Prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado
E absolveu os PMs de Vigário!
A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que é pra você não ver que o programado é você!
Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar!
Escola! Esmola!
Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda! Não! Não!!
Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada